
Você está tomando Stresam contra a ansiedade e notou uma mudança na balança. Perda de apetite, alguns quilos a menos, ou, ao contrário, um ganho de peso inesperado. A tentação é forte de fazer a ligação direta com o medicamento. O Stresam (etifoxina) é um ansiolítico prescrito sob receita médica para as manifestações psíquicas e físicas da ansiedade. Sua relação com o peso merece um esclarecimento preciso, longe dos atalhos que encontramos nos fóruns.
Etifoxina e peso corporal: o que diz o RCP oficial
O ponto de partida confiável para avaliar um medicamento continua sendo seu Resumo das Características do Produto (RCP). A última atualização do RCP do Stresam pela ANSM, datada de 8 de novembro de 2024, lista os efeitos colaterais conhecidos: distúrbios gastrointestinais (náuseas, dores abdominais, diarreia), sonolência no início do tratamento, reações cutâneas raras, mas potencialmente graves.
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Nenhuma modificação de peso está mencionada no RCP, nem perda nem ganho de peso. O medicamento simplesmente não foi associado, nos dados de farmacovigilância, a um efeito direto sobre a massa corporal.
Para entender melhor as questões em torno da stresam perda de peso e efeitos colaterais, é preciso distinguir o efeito farmacológico do medicamento e as consequências indiretas da própria ansiedade sobre o organismo.
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Stresam e perda de peso: uma ligação indireta relacionada à ansiedade
A ansiedade modifica profundamente o comportamento alimentar. Algumas pessoas comem menos quando estão ansiosas: nó no estômago, náuseas, perda de apetite. Outras, ao contrário, recorrem à comida como mecanismo de conforto.
Quando um ansiolítico como o Stresam reduz os sintomas de ansiedade, pode restaurar um apetite normal. Se você estava comendo pouco por causa do estresse, recuperar o apetite pode levar a um ganho de peso. Se, ao contrário, você beliscava por ansiedade, a diminuição da ansiedade pode reduzir as compulsões alimentares e fazer você perder alguns quilos.
O Stresam não queima gordura, não corta o apetite, não modifica o metabolismo. As variações de peso observadas durante o tratamento são o reflexo de uma mudança no comportamento alimentar, não de um mecanismo farmacológico.
Os distúrbios digestivos como fator de confusão
As náuseas e dores abdominais listadas no RCP podem reduzir temporariamente o apetite no início do tratamento. Essa diminuição passageira da alimentação pode fazer crer em um efeito emagrecedor do medicamento.
Esses distúrbios digestivos são geralmente transitórios e dizem respeito aos primeiros dias de uso. Eles não constituem uma base para atribuir um efeito de emagrecimento ao Stresam.
Dosagem do Stresam e duração do tratamento: os pontos a conhecer
O Stresam se apresenta na forma de cápsulas dosadas em 50 mg de etifoxina. A posologia habitual corresponde a três cápsulas por dia, distribuídas em três doses. O médico pode ajustar essa dose de acordo com a resposta clínica.
Um ponto muitas vezes desconhecido diz respeito à duração. Você pode ter lido que o Stresam deve ser tomado “pelo tempo necessário”. A realidade é mais restrita:
- A duração máxima recomendada é de 12 semanas. Além disso, o benefício terapêutico não é mais demonstrado e o paciente permanece exposto aos efeitos colaterais sem ganho adicional.
- O tratamento é concebido para uma ansiedade reativa (relacionada a uma situação identificável), não para um transtorno de ansiedade crônico que requer um acompanhamento a longo prazo.
- A interrupção geralmente não requer desmame gradual, ao contrário das benzodiazepinas, pois o Stresam não cria dependência física documentada.
Aumentar as doses na esperança de um efeito sobre o peso seria inútil e perigoso. A dosagem prescrita visa a ansiedade, não o metabolismo.

Efeitos colaterais do Stresam: os sinais de alerta reais
Os depoimentos nos fóruns frequentemente mencionam sonolência e fadiga. Esses efeitos são reais, especialmente no início do tratamento. A sonolência pode, aliás, reduzir a atividade física diária, o que, paradoxalmente, favoreceria um ganho de peso em vez de uma perda.
Os efeitos colaterais raros, mas graves, merecem atenção especial:
- Lesões cutâneas severas (erupções, síndrome de Stevens-Johnson): qualquer erupção cutânea sob Stresam justifica uma interrupção imediata e uma consulta de emergência.
- Lesões hepáticas: uma icterícia ou dores abdominais persistentes devem ser comunicadas sem demora ao médico.
- Mau-estar próximo à perda de consciência, relatado por alguns pacientes já nas primeiras doses.
Esses efeitos colaterais graves são a verdadeira razão para monitorar um tratamento com Stresam, muito mais do que uma hipotética variação de peso.
Uma relação benefício/risco contestada
A HAS emitiu em junho de 2020 um parecer desfavorável à manutenção do reembolso do Stresam. O serviço médico prestado foi considerado insuficiente, devido à ausência de demonstração de eficácia em comparação ao placebo no estudo AMETIS e ao risco de efeitos colaterais raros, mas potencialmente graves.
A revista Prescrire classifica a etifoxina entre os medicamentos a serem evitados nos cuidados em psiquiatria, devido a uma relação benefício/risco considerada desfavorável. O Stresam não é mais reembolsado pela Segurança Social.
Esses elementos não significam que o medicamento seja ineficaz para todos os pacientes. Eles lembram que sua eficácia é mal demonstrada em escala de ensaios clínicos e que outras opções terapêuticas (psicoterapia, benzodiazepinas a curto prazo, se necessário) possuem evidências mais sólidas.
Se você observar variações de peso sob Stresam, a abordagem mais útil continua sendo conversar com seu médico para avaliar se essas mudanças estão relacionadas à ansiedade, ao comportamento alimentar ou a outra causa. O Stresam não tem lugar em uma estratégia de perda de peso, e nenhuma instituição de saúde o recomenda para esse fim.